JORNAL ONLINE-REGISTO ERC Nº 125301 - DIRECTOR : LUIS PEREIRA


NN - publicado Segunda-feira, Novembro 08, 2004

            

No 5.º aniversário da ADIMAC (Associação para o Desenvolvimento Integrado de Macedo de Cavaleiros), O Notícias do Nordeste foi falar com Ilídio Mesquita, com o intuito de o próprio fazer uma pequena súmula daquilo que foram os cinco anos desta Associação.
NN – Como nasceu a ADIMAC e quais os objectivos sociais que levaram à sua criação?
Diác. Ilídio Mesquita – A ADIMAC surgiu em 1999, na sequência de um projecto do I O Integrar (Integração Operacional), uma candidatura da autarquia. Este Projecto chamava-se ESTEVA e terminava em Dezembro de 1999.Uma das vertentes deste projecto, era a criação de novos espaços, novas situações para responder às problemáticas do concelho. E desde logo, as pessoas que faziam parte deste projecto, acharam que era importante criar uma Associação que respondesse a alguns problemas sociais do concelho que não estavam cobertos, nomeadamente as mulheres desempregadas, as mulheres vitimas de violência, os beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido (como se dizia na altura) e os jovens em risco de toxicodependência ou outros riscos. Presidindo a isto, nasceu a ADIMAC em escritura pública no dia 19 de Outubro de 1999. Cinco anos depois, penso que os principais objectivos ou a maior parte deles, foram alcançados.
NN – E em que sectores é que a ADIMAC actua?
Diác. Ilídio Mesquita – A ADIMAC actua fundamentalmente, junto das mulheres desempregadas, dos beneficiários do rendimento mínimo garantido, dos jovens em risco (ex-toxicodependentes) e na generalidade junto de todas as pessoas com problemas sociais. Temos um gabinete aberto à população, onde qualquer pessoa se pode dirigir para qualquer questão e expor os seus problemas. A ADIMAC tem encaminhado alguns dos jovens em risco (ex-toxicodependentes) , que encontraram algumas soluções para os seus problemas.
NN – A ADIMAC é uma Associação de sucesso, podendo mesmo ser considerada uma Associação modelo. Qual o segredo que está por de trás deste visível sucesso?
Diác. Ilídio Mesquita – Sucesso? Eu não diria já que é uma associação de sucesso, os outros o hão-de dizer no futuro, quando se fizer a historia do concelho, quando se fizer a história do associativismo deste concelho de Macedo de Cavaleiros que é muito recente. O que está por de trás é fundamentalmente um grande amor à camisola, está fundamentalmente uma grande preocupação sem querelas , sem querer dar nas vistas, embora muitas vezes eu seja o rosto visível da associação, mas há muita gente que está por de trás, e que são até muito mais importantes que eu, que trabalham, que se esforçam, e que todos os dias dão o seu melhor para com a associação e de uma forma desinteressada e gratuita, nomeadamente os sócios e a Direcção. Obviamente também os funcionários que trabalham e se preocupam dia após dia com a associação, isso é que é uma das razões do sucesso. Logicamente que também temos apostado em coisas inovadoras, desde logo as compotas, digamos que é a imagem de marca da associação, principalmente para o exterior do concelho. Temos apostado também, nos serviços prestados pelas mulheres de limpeza com a empresa de inserção “Vassouras e Trapos”, ambas situações inovadoras que vão de encontro às necessidades e expectativas da população. Os utentes desta associação utilizam e usam a ADIMAC consoante as suas necessidades e interesses.
NN – Tem-se especulado muitas vezes que a ADIMAC é uma criação do antigo executivo Camarário. Concorda com esta afirmação?
Diác. Ilídio Mesquita – Não! Desde logo que não! O que se passou foi o seguinte: o que levou à criação desta Associação, foi efectivamente um projecto desenvolvido pelo executivo da Câmara Municipal da altura. Estamos a falar de 1999 praticamente no inicio do 2.º mandato do Eng. Luís Vaz. A Associação surgiu nesta altura para responder a um objectivo concreto, os sócios fundadores são de todos os quadrantes políticos, desde o CDS/PP ao próprio PS, não sei se haverá alguém do Bloco de Esquerda, nem sequer temos essa preocupação. Talvez as pessoas nos associem (ou associassem) ao anterior executivo, porque no final de 1999, inicio de 2002 (quando a ADIMAC começou a ter maior visibilidade) a ADIMAC geria um Projecto (GIESTA) que tinha sido uma candidatura do antigo executivo.
NN – E em relação ao actual executivo? Têm sentido algum apoio? É suficiente?
Diác. Ilídio Mesquita – Evidentemente que o apoio nunca é suficiente! Ao fazer-me esta pergunta tenho que lhe dizer desde já que não, tenho que defender a minha “Dama”, acho que o associativismo deveria ser mais apoiado, até mesmo a nível nacional. É importante dizer que o executivo tem ajudado naquilo que pode. Se calhar talvez pudesse ajudar mais ou dar outro tipo de apoio, também é verdade. Mas por outro lado existem tantas associações no concelho...
NN – É sabido que com a mudança de executivo, houve uma certa animosidade e talvez até boicote à ADIMAC. Apesar da falta de apoios (inclusive a mudança da gestão do Projecto GIESTA), esta Associação singrou e provou ao longo destes três anos, que tem “pernas” para andar, e, embora remando contra a maré conquistou o reconhecimento tanto a nível local como a nível nacional e até mesmo internacional. Como se sente, uma vez que foi e é o “homem do leme deste barco”?
Diác. Ilídio Mesquita – Em primeiro lugar, gostaria de corrigir aí uma situação. Eu tenho algumas duvidas (e três anos volvidos), que tivesse havido alguma animosidade. Temos que ver as coisas no seu tempo, na sua história, no seu contexto. É importante dizer-se, fosse com este executivo, ou com outro, houve realmente uma situação que foi a de que a ADIMAC deixou de gerir o Projecto GIESTA. Isso foi concreto, faz parte da nossa história, não temos que a escamotear, nem esconder. Para o desenvolvimento normal de qualquer Projecto, hoje, tanto pode estar na Associação A, como amanhã na Associação B e por aí adiante. O Projecto em questão está a terminar e o mais importante é questionar se foi bem gerido e se cumpriu os seus objectivos. Quanto ao reconhecimento se formos conhecidos a nível local, nacional, internacional, somos através das compotas, e recebemos agora um prémio internacional de qualidade na categoria ouro em Geneve em Abril último. Quanto a nível nacional, também somos reconhecidos, já não é a primeira vez que sou convidado a participar em varias conferências por parte de várias instituições. Exemplo disso, no dia 29 e 30 do corrente mês fui convidado para um seminário a realizar em Fátima sobre a avaliação da luta contra a pobreza, convidado pelo instituto da Segurança Social. É evidente, que ao participar em eventos deste caracter, temos uma responsabilidade acrescida, embora nos dê uma certa dimensão e até promoção da própria Associação. A nível local, penso que estamos a fazer um excelente trabalho e a corresponder aos nossos objectivos, a prova-lo estão os nossos utentes, tais como os desempregados de longa duração, as mulheres, bem como os jovens em risco.
NN – Em relação ao Prémio Internacional de Qualidade atribuído à empresa de inserção “ da Tradição se fez Doce”, qual foi o efeito positivo e imediato sentido pela Associação?
Diác. Ilídio Mesquita – Uma grande visibilidade para a empresa de inserção que é o mais importante, a empresa de inserção está como se costuma dizer, baseada numa economia solidária, porque é uma empresa que tem a preocupação de desenvolvimento económico, responsabilidade social, do investimento do lucro que neste momento não é visível, mas desejamos que o seu futuro seja promissor. Logicamente que as vendas aumentaram, pois, havia muitas pessoas, mesmo a nível local que não sabiam da existência da empresa de inserção nesta área. Quando criamos a empresa de compotas, foi no sentido de criar um produto que marcasse e se associasse desde logo a Macedo de Cavaleiros. Tal como Alfândega – cerejas, Vinhais – fumeiro e Mirandela – alheiras. Poderíamos criar uma empresa de vinhos, mas a nossa intenção era a de criar um produto exclusivo e inovador no mercado, e como já havia a tradição de compotas, apostamos nesta área utilizando a fruta biológica da região, transformando-a em deliciosas compotas, a que os nossos clientes já se habituaram e renderam.
NN – Até onde pretendem levar a ADIMAC?
Diác. Ilídio Mesquita – A ADIMAC continuará enquanto for necessária. Se um dia o nosso público-alvo deixar de existir, o que seria óptimo, a ADIMAC dissolver-se-á naturalmente. Enquanto houver uma razão para a sua existência, projectos e houver empenhamento e garra de todos - Direcção, funcionários, pessoas que a nós recorrem e os sócios – a ADIMAC continuará a trabalhar e a esforçar-se contribuindo para o desenvolvimento sustentável do concelho de Macedo de Cavaleiros.
NN - Fala-se que a ADIMAC, é um modelo de intervenção Social, com contornos de esquerda e particularmente de influência Socialista. O que tem a dizer sobre isto?
Diác. Ilídio Mesquita – Eu não gostaria de entrar por políticas quer de esquerda quer de direita, pois, penso que o papel mais importante cabe a pessoas e não a rótulos. Gostaríamos de ser conotados pelo esforço desenvolvido no que se refere ao capital social e humano e não pela sua partidarização. Embora acredite que já houve melhores políticas sociais no país, do que as que existem no momento, é verdade. As políticas vão-se fazendo dia-a-dia, momento a momento, altura a altura, o importante é não conotar esta associação ou outra com o partido A, B ou C, e sim pelo trabalho desenvolvido. Não nos podemos esquecer que a ADIMAC tirando a formação profissional que são os formandos e formadores, esta garante 32 postos de trabalho.
NN – Independentemente da conjuntura política e económica que se vier a instalar em Portugal, acha que a ADIMAC tem futuro?
Diác. Ilídio Mesquita – Sim estou convencido disso, caso contrário já teríamos terminado com a Associação. Independentemente de tudo, enquanto houver pessoas carenciadas e que precisem de nós a ADIMAC tem futuro, só o deixará de ter quando todas as situações estiverem colmatadas, era bom sinal que fosse já amanhã, e assim a Associação deixaria de existir.
NN – Refira três coisas de que se orgulha particularmente de ter feito nesta Associação.
Diác. Ilídio Mesquita – Gerir a ADIMAC é por vezes muito complicado. Por vezes temos vontade de dizer vamos embora e quem vier atrás que feche a porta. Mas fizemos muitas coisas boas na ADIMAC e é difícil restringirmo-nos simplesmente a três. Desde logo a criação da empresa de inserção das compotas, seguidamente a empresa de inserção “Vassouras e trapos”, a formação profissional é também muito importante, pois, garante a empregabilidade de um número significativo de indivíduos. Finalmente um dos grandes motivos de orgulho da ADIMAC, foi a atribuição internacional do prémio de qualidade na categoria ouro à empresa de inserção “ da Tradição se fez Doce” que sem a contribuição e o empenho das funcionárias que trabalham, não teria sido possível.
NN – Em Macedo de Cavaleiros refere-se que a ADIMAC é o Diácono Ilídio Mesquita. O que tem a dizer sobre isto?
Diác. Ilídio Mesquita – Infelizmente é verdade. A ADIMAC é uma Associação sem fins lucrativos, eu nem sequer sou o presidente, sou apenas o secretário de direcção, e é de justiça que se diga que pelo seu trabalho anónimo e pelo seu esforço que a presidente, é a Dr.ª Cristina Brinço. Eu sou o rosto visível talvez porque fui chefe do projecto de luta contra a pobreza e sou o membro da direcção que passa o dia na ADIMAC e sou quem dá a cara. Preferia não ter esta visibilidade, gosto muito mais do trabalho anónimo, mas enfim alguém tinha que a ter, e neste momento tocou-me a mim e espero que futuramente apareça outra pessoa. A ADIMAC não sou só eu, embora seja sócio fundador, há muita mais gente envolvida, na direcção está também o Dr. Rui Costa, e muita gente anónima que aposta no desenvolvimento e crescimento da ADIMAC.
(Entrevista de Celina Martins)

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