Entrevista a Armando Rodrigues, candidato à Presidência do Sport Clube de Mirandela NN - Macedo de Cavaleiros,
Quinta-feira, Maio 15, 2008
        
      
Armando Rodrigues, 37 anos, casado, natural e residente em Mirandela, licenciado em Engenharia Civil. Encabeça a lista B, para a s eleições da presidência do Sport Clube de Mirandela, que se realizam no próximo dia 16 de Maio.
Nas eleições mais badaladas dos últimos anos, o Sport Clube vai a votos rodeado de polémicas. A doação do terreno por parte do empresário Jorge Morais, condicionado a que Virgílio Gomes, actual presidente e recandidato, se mantenha na direcção, é um dos assuntos desportivos mais discutidos na cidade do Tua.
O novo complexo desportivo apresentado no passado dia 3 de Maio que implica a venda do velhinho estádio de S. Sebastião a um empresa privada por 1,5 milhões de euros e a derrota do Mirandela contra o Grupo Desportivo de Bragança por 1-3 são motivos para que estas eleições ganhem outra importância e justifiquem esta entrevista. Durante todo o dia tentamos entrar em contacto com Virgílio Tavares, actual Presidente e recandidato nestas eleições, para ouvir as suas declarações quanto a este processo eleitoral, tal nunca foi possível.
Rui Tulik – Começo por lhe perguntar, o porquê da sua candidatura?
Armando Rodrigues – A principal razão foi essencialmente uma grande movimentação de sócios para que houvesse uma alternativa à actual direcção, essa foi a principal razão que me levou a candidatar.
Rui Tulik – Numa entrevista, ao “Jornal Nordeste” o actual Presidente do Sport Clube Mirandela (SCM) afirma que o SCM “vive a melhor década da sua vida”, concorda com esta afirmação?
Armando Rodrigues – Concordo que o SCM se encontra relativamente bem, mas agora se formos analisar, em termos desportivos, aquilo que foi prometido e aquilo que foi conseguido, então se calhar é um desastre.
Rui Tulik – Portanto entendo nas suas palavras que um dos motivos que o leva a candidatar-se são as promessas não cumpridas da actual direcção.
Armando Rodrigues – É também mas não só, por exemplo, toda esta questão do novo complexo desportivo em que para nós, é todo um processo que não é claro, não é transparente e nós achamos que deve haver verdade e transparência. E no nosso entender, quem deve ditar o que vai ser o destino das instalações actuais do Sport Clube de Mirandela são os sócios. Não faz sentido estar a colocar um projecto sem primeiro ouvir os sócios. Para saber aquilo que eles pretendem, porque são eles verdadeiramente que vão dizer qual o destino a dar ao património. E só depois podemos partir para uma solução. Criou-se muito a ideia de que esta lista é contra a construção do novo complexo, nós não somos contra nada. Nós somos é contra o processo em si, nós estaremos sempre é a favor daquilo que os sócios quiserem. Estaremos lá sempre na primeira linha, para responder a essa pretensão, essa é a nossa razão em relação a todo este processo. Unicamente estamos contra o processo. Não adianta quererem inverter e querer dizer que nós somos contra.
Rui Tulik – Como é que conduziria esta situação, caso estivesse na direcção do Sport Clube?
Armando Rodrigues – Eu conduziria, como pretendo que venha a ter essa legitimidade para o fazer, que é fazer uma assembleia-geral em que os sócios, irão dizer aquilo que pretendem, se pretendem uma requalificação para o estádio de S. Sebastião e com a construção de campos de treino e balneários, ou então se pretendem a construção de um complexo desportivo, todo ele de raiz, que incorpore um estádio para os jogos principais. E só em função disso é que iremos partir depois para a análise para a melhor localização e tudo isso, quer dizer, não vamos andar aqui com o processo ao contrário. Que é isso que tem acontecido até esta parte. A câmara municipal, cumpriu o papel dela, enquanto entidade que tem colaborado com o Sport Clube e apresentou um ante-projecto daquilo que poderia vir a ser um complexo desportivo para o Sport Clube, o SCM é que quanto a mim, com a atitude que tomou quer impor uma decisão antecipada de uma decisão que os sócios poderão vir a tomar. E isso é completamente incorrecto, nós estamos contra esses factos.
Rui Tulik – Na sua opinião, é preferível construir um Complexo Desportivo de raiz e vender o terreno do estádio de S. Sebastião ou é preferível requalificar o estádio que têm?
Armando Rodrigues – Nós não somos nenhuns “iluminados”, se fizermos uma análise nacional, vê se que todos os estádios construídos de novo, temos o caso do Estádio do Dragão, o Estádio da Luz e o de Alvalade que foram construídos num aglomerado populacional muito elevado, nós não estamos aqui a descobrir absolutamente nada. Há de facto o hábito dos Mirandelenses de ir ao futebol com a família a pé a passear e por tudo isso, requalificando o estádio de S. Sebastião poderá ter todas as condições para se mater como estádio principal nos jogos ao domingo.
Rui Tulik – Portanto, a sua aposta passa pela requalificação do estádio de S. Sebastião?
Armando Rodrigues – Eu não estou a dizer que é a minha aposta, é apenas a minha opinião. Agora a minha aposta vai ser aquilo que os sócios quiserem, tão certo quanto isso.
Rui Tulik – Ma não irá defender a sua opinião?
Armando Rodrigues – Não irei defender a minha opinião, nós iremos colocar todas as hipóteses e os sócios irão decidir, qual a hipótese que eles entendam ser a melhor.
Rui Tulik – Imagine que é eleito, e que os sócios em Assembleia-Geral decidem fazer exactamente o que esta direcção tenciona fazer, qual a sua posição?
Armando Rodrigues – A minha posição será abrir um debate alargado, para ver se hà alguém disposto a uma nova localização que em termos económicos seja mais favorável. Não vamos condicionar, é preciso que se note, a que estádio tendo que ser construído, fora do local actual tenha de ser no local que a actual direcção indica, não, nós queremos debater e serão os sócios a decidir.
Rui Tulik – Percebeu-se claramente pelas declarações do empresário Jorge Morais, que a ideia de doar o terreno na quinta da Raposeira, apenas será efectuada caso se venha a manter a direcção com Virgílio Gomes. Já têm alguma garantia que caso vençam as eleições o empresário Jorge Morais também vai doar o terreno? Existem conversações nesse sentido?
Armando Rodrigues – Essas declarações existem, estão gravadas, estão registadas onde é dada essa garantia, que o senhor Jorge Morais apenas doa o terreno caso o senhor Virgílio Gomes vença estas eleições. Não temos conversações, nem queremos, porque isso iria totalmente contra aquilo que defendemos, nós queremos um processo transparente e aberto e serão os sócios a ditar qual o rumo do clube. Nós apenas iremos fazer o melhor para concretizar o que os sócios assim entendam.
Rui Tulik – Na mesma edição, o Jornal Nordeste, publica um artigo de opinião onde Júlia Rodrigues, líder Socialista de Mirandela, critica esta opção do nosso complexo desportivo onde afirma que o clube não está a garantir a sustentabilidade financeira. Sente nestas palavras um apoio?
Armando Rodrigues – Eu não tenho partido, aliás, sou apartidário. Neste caso, vindo de uma pessoa com a sua posição, vai de encontro aquilo que nós defendemos. Estará na mesma linha de pensamento que esta lista. E isso é bom, é sinal que nós não estamos errados e há muita gente a pensar da mesma forma.
Rui Tulik – Passando à parte desportiva. Prevê alguma alteração na equipe desportiva, caso seja eleito?
Armando Rodrigues – Eu quanto a isso, já tive oportunidade de dizer que não tenciono falar sobre isso para não afectar a equipe. Tal como disse no meu comunicado anterior, garanto que esta direcção está preparada para tudo. Iremos ter uma equipa competitiva, muito mais disciplinada do que a actual.
Rui Tulik – Mas considera que existe falta de disciplina na equipa?
Armando Rodrigues – Contra factos não há argumentos, eu diria que esta equipa deve ser a mais indisciplinada de toda a história do Sport Clube Mirandela. E isso espelha bem como esta direcção gere o clube. Nota-se que há ali qualquer coisa que falha e isso é visível. Agora quer a equipa suba, quer a equipe se mantenha, nós iremos ter com toda a certeza um equipa em que os sócios se revejam. Disso não tenho a menor dúvida. Somos todos nós capazes, e temos todos nós conhecimento para que isso venha a acontecer.
Rui Tulik – Estamos a dois dias das eleições, qual o seu sentimento neste momento?
Armando Rodrigues – Bem, repare, eu noto que realmente existe um grande desejo de mudança e estou convicto que vamos ganhar.